Os fins de ano sempre trazem essa sensação intempestiva. É como se o ritmo veloz dos últimos dias tornasse a vida mais intensa e exigisse uma atitude. Chegou a hora de fechar um ciclo e começar outro. Resolver os nós que não deixam seguir em frente, abandonar o que não deu certo. Dizer adeus a pessoas, lugares e ideais que não vão seguir conosco. Olhar para trás e enxergar as lutas pelas quais vale a pena brigar. Respirar fundo e ter coragem para deixar pelo caminho o que está pesado, as relações que não deram frutos, aquilo que perdeu o significado. E abrir espaço para o que virá.
Porque é só espantando o antigo que o inesperado surge. Sem planejar, aparecem amigos gratuitos, um desvio na rota, oportunidades diferentes, um jeito melhor de olhar para o que se foi. Em vez de temer, passei a esperar o fim do ano. Misteriosamente, esse é o momento em que as respostas aparecem claras como se, de algum lugar, brotassem contando o rumo a seguir. É Natal, é fim de ano, é momento de reinício, do novo que irrompe e supera o passado. Agradecida, olho para a luz dos dias ensolarados e enxergo a vida nascendo, plena de novas chances.
Rita Loiola - Revista Sorria

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